O artigo realizado por Marcelo Kischinhevsky e Micael Herschmann irá descutir sobre as grandes mudanças industriais e culturais ocorridas a partir das novas tecnologias digitais que vem remodelando e adicionando novos meios de comunicação, tornando a veiculação da música muito mais acessível. Talvez não tenhamos observado pelo modo veloz em que esses meios evoluíram modificando a maneira de consumimos esse tipo de produto, migrando da indústria fonográfica, entrando no mercado digital, mas a musica hoje se encontra em diferentes lugares, não apenas no radio, mas na TV, internet, nos elevadores, em aparelhos multimídia, ruas, lojas, etc.. Com todas essas mudanças e facilidades de acesso fica difícil estabelecer o seu valor de troca.
Essa mudança que tem afetado os mais diversos setores das indústrias culturais tem estado presente na reordenação da indústria da música em relação à diversidade cultural que enfrentam os artistas independentes para ter acesso às redes de distribuição que são controladas pela grande indústria e na negociação com novos intermediários. Com todo esse ineditismo de acontecimentos pode-se dizer que a industria musical tornou-se como um laboratório que serviu de impulso para a evolução dos diferentes setores da industria cultural.
Com as novas transformações houve a desvalorização da indústria fonográfica, mas o aumento da valorização dos shows ocorridos nas áreas urbanas; Existe também a busca desesperada Por novas soluções de negócios fonográficos, já que hoje o consumo de musica ocorre nos dispositivos moveis e na internet; que serve como estratégia de comunicação e circulação de conteúdo, bem como a conquista e a renovação de novos públicos consumidores.
Para melhor entendermos as noções empregadas no universo musical é apresentada diferenciação conceitual entre cenas, circuitos culturais e cadeias produtivas. Segundo Freire Filho e Marques (2007), as “cenas” seriam mais fluidas, instáveis e nelas seria possível atestar um maior protagonismo dos atores sociais. As cenas dependeriam de identificações, afetividades e alianças construídas entre os indivíduos. Os circuitos culturais são menos fluidos, já as “cadeias produtivas” teriam uma dinâmica institucionalizada (os atores sociais portanto, nas cadeias produtivas, não estão mais no “terreno da informalidade”).
Podemos observar que toda essa reordenação impactou na pré-produção, na produção, na dstribuição, na comercialização e no consumo que se tornaram mais acessíveis. Com isso as majors passam a apostar nas vendas feitas pela internet para que eles possam ganhar com esse mercado, já que o mercado fonográfico está em decadência com o fechamento das lojas físicas de discos e o crescimento das vendas de musica e downloads gratuitos realizados pela internet, que está em constante crescimento. Assim como telefones celulares e games que hoje também influenciam nas relações de consumo musical e no surgimento de novas apropriações de consumo.
A indústria vem enfrentando inúmeras dificuldades com as novas praticas, há 15 anos o valor do fonograma vem decaindo no qual a musica pop tornou-se um commodity, muitas vezes sendo negociada por centavos ou como brinde de artigos como por exemplo telefones celulares. São essas dificuldades que fizeram com que muitas empresas passassem a investir na web, como parceria de sites, redes sociais, sites de compartilhamento de arquivos (P2P) até com acordos financeiros estabelecidos com gravadoras.
No Brasil essa integração das empresas com serviços de download teve seu inicio pelas operadoras de telefonia móvel que chegou até 80% do faturamento das companhias fonográficas digitais, que tendo o acesso a catálogos licenciados por gravadoras impulsionam e promovem as vendas de celulares caracterizados por bandas. E além disso quem não possui essas aparelhos que já tem determinados toques musicais passou a baixar os toques. Representando assim a expansão do mercado formal, operando como uma pedagogia do consumo. Mas só a partir de 2009 é que os números oficiais de faturamento passaram a ter maior significado com o crescimento de 12% no consumo de fonogramas digitais e a cada ano que passa o consumo é maior, chegando a ultrapassar a venda de CDs responsável pela volta de crescimento de vendas digitais em 13 países.
O que veio tendo destaque além disso, foram as mídias sociais de base radiofônica, como por exemplo a plataforma last.fm, onde é possível escutar musica, personalizar playlists, interagir com outros usuários, criar tags para diferenciação de gênero, e além do mais receber recomendações relacionadas ao estilo musical do consumidor que forma a partir disso uma identidade musical.
Cientes deste fato, as gravadoras vêm buscando abocanhar este mercado: passaram a adotar, como medida compensatória às suas perdas, alterações dos contratos que impõem aos artistas, prevendo, entre outras coisas, participação nas bilheterias
(HERSCHMANN, 2007).
Se antes os artistas conseguiam conquistar mais da metade de seu publico com fonograma, hoje com as maneiras de consumo em transformação o publico mudou, principalmente o mainstream e o indie que tem crescido em relação a ida aos shows ao vivo que atualmente fatura bilhões por ano. Além dos shows musicais os circuitos de festivais vem crescendo com diferentes conjuntos de redes de artistas como atores de teatro, acadêmicos entre outros onde utilizam utilizam recursos de leis de incentivo à cultura e editais públicos para essas promoções. Diferente do século passado esses concertos vem construindo de forma bem sucedido novos circuitos de produção-distribuição e consumo culturais. As transformações ocorridas na cadeia produtiva e no âmbito dos circuitos e das cenas culturais; cada vez mais asseguram a pluralidade neste estratégico segmento da indústria cultural que a cada dia está em constante transformação por influencia das novas tecnologias.
A reconfiguração da indústria musical nos meios tecnologicos
09:08 |
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