A performance dos fãs no relacionamento afetivo e simbólico

A monografia de Santos discute sobre os comportamentos de histeria gerados por fãs, mais especificamente do grupo Backstreet Boys. Com o passar o tempo, o fã deixou de ser um simples admirador, e passou a ser alguém com a capacidade de causar algum mal, onde podemos ter como exemplo dessa idolatria o fã que assassinou John Lennon.

Além dessa associação, os fãs também são vistos e conhecidos como pessoas influenciáveis pela mídia, que possui atitude extrema, doentia e de grande histeria caracterizada na maioria das vezes pelo publico feminino que deseja estar perto do ídolo . Além de conhecer mais afundo sobre o artista, também desenvolve sua criatividade inventando e trazendo novos artefatos com diferentes significações e simbologias a partir do objeto de adoração.

A mesma febre que iniciou com beatlemania nos anos 60, já via o modo como os fãs participavam como parte do show onde anos depois pelas características semelhantes o fenômeno, foi renomeado nos anos 90 como backstreetmania por suas fãs causarem o mesmo comportamento nas apresentações da banda. Já nos anos 80, os fãs acabaram deslegitimados por seus artefatos de adoração acabarem virando massivos. Nessa mesma década, iniciaram-se estudos culturais nos EUA e Inglaterra a respeito dos fãs e seus objetos de adoração, onde detectaram que esses objetos e acontecimentos são recriados de diferentes maneiras que foram vistas como um modo de diferenciação pelos teóricos.

Na década de 90, deu-se inicio a um novo fenômeno, as Boys Bands. Essas bandas eram formadas por garotos que tinham presença de palco, mas que não tinham talento musical, eram animadores de platéia. Em 93 em Orlando na Flórida surge os Backstreet Boys, arrastando milhares de fãs com suas musicas românticas e coreografias. Através do comportamento observado a partir das praticas realizadas pelas fãs como gritos, choros, histerias e até desmaios é que iniciou-se o questionamento do que as levava a tomar certa atitude. Analisando assim o discurso da mídia, da academia e das próprias fãs, onde a pesquisadora optou por estar insider, para ter um melhor posicionamento, por ela também ser uma fã da banda, promovendo assim uma analise diferenciada.

O que a autora busca é poder demonstrar uma maneira menos óbvia, embora nada sutil, de participação e que, até hoje, é vista sob uma série de estigmas e estereótipos, se mostra de extrema importância uma vez que estes fenômenos tendem a se repetir, com maior ou menor intensidade, ao longo da história da música pop.

O que aperfeiçoou a pesquisa, foi o fato do grupo Backstreet Boys ter se apresentado no Brasil, o que possibilitou uma observação mais qualificada em relação ao modo com que as fãs mobilizavam-se para prestigiar seus ídolos. A adolescência é vista como uma fase de mudanças, onde consideram o jovem alguém incapaz de controlar suas emoções, e, além disso, são vistos como nocivos, toda essa explosão de mudanças caracteriza também a comunidade de fãs entrevistada por Santos, onde as meninas são maioria, onde possuem de 13-20 anos de idade. Ressaltando que a comunidade não mede esforços para ter contato com seu ídolo, exercendo praticas extremistas.

As características vindas a partir da puberdade, tornam a ligação adolescente/fã interligadas. Onde temos como exemplo pessoas que deixam a adolescência juntamente com seus gostos formados nela, enxergando como um amadurecimento, já outras fãs deixam o exagero de lado e passam a admirar o ídolo como pessoa. E também tem aquelas que ainda são fãs apresar de adultas, essas são chamadas de adultescentes. Segundo Santos , em outras palavras, o que diferenciaria tanto o fã do admirador como o adolescente do adulto seria o controle sobre as próprias emoções.

Existem basicamente dois estereótipos na abordagem psicanalítica das atividades do fã: o indivíduo solitário e obsessivo e amassa histérica. Essas duas imagens refletem a dualidade entre masculino e feminino enraizadas na sociedade. O homem é sempre associado à racionalidade e a mulher à emoção, representando, respectivamente, um pólo positivo e outro negativo do tecido social. Além de ser considerada influenciável e exagerada, a mulher é vista como desprovida de individualidade e , por isso, teria uma tendência maior a se “dissolver” na massa, que forneceria as condições mais favoráveis para que sua voz pudesse ser ouvida (HUYSSEN, 1996).

Essa histeria foi muito comentada e divulgada pelas mídias, a partir da primeira vinda do grupo ao Brasil. A banda que lançou 7 álbuns entre 1996 e 2009, sempre fez questão de ser considerada um grupo vocal, rejeitando o termo Boy Bands que era dado as bandas que faziam animação de platéia, e que não tinham nenhum talento artístico.

No dia 20 de novembro estava marcado o desembarque da banda no aeroporto Tom Jobim, no Rio. A recepção calorosa feita pelas fãs assustou os integrantes, que após uma chegada dificultosa, apresentou-se por 15 minutos. Essa apresentação rápida repercutiu positivamente, pois muitas fãs assistiram, mas negativamente elas extrapolaram sendo alvo de noticiários da mídia e ficando marcadas por suas atitudes de descontrole emocional como também inconseqüentes. Uma das notas publicadas na Folha online dizia: Ficaram histéricas.(...)Várias fãs se atiraram no chão diante do ônibus que levava o grupo.(...) “É uma loucura. É como se quem estivesse aqui fosse o presidente ou o Michael Jackson, não os Backstreet Boys” disse um dos integrantes da banda, Howie Dorough, depois de ver as fãs se aglomerandona rua. Já Brian Littrell disse: “Foi assustador. Fiquei com medo de alguma daquelas fãs se machucar seriamente” (FÃS, 2000)

Após a primeira visita ao Brasil, as fãs acabaram criando uma imagem negativa, por serem tão fanáticas e pela sociedade automaticamente cirar esses estereótipos . Já a banda busca enfatizar através de letras, e clipes a importância que elas possuem para dar continuação a banda. Assim como deixam claro que sabem dos esforços feitos pelas fãs para chegar até eles. Já as fãs acreditam que esse esforço foi o que trouxe a banda no ano de 2008.

Deve-se considerar também que se, por um lado, os excessos das fãs podem ser tratados pejorativamente, por outro eles são indicativos da importância daquele artista ou obra para aquelas pessoas. Independente do que pode mover cada uma das fãs (as músicas da banda, sua capacidade vocal ou, simplesmente, o apelo visual e sexual de seus integrantes) o investimento afetivo só se justifica mediante oreconhecimento de que aquele artefato é digno de receber este afeto. O excesso éparte do processo de legitimação deste produto (GROSSBERG, 2001).

O fator simbólico aparece na medida em que uma fã passa por diversas dificuldades para ter acesso ao ídolo, e a partir disso é dada a distinção de uma fã verdadeira ou não. Não só a midia busca os depoimentos mais exagerados, mas no próprio universo do fa ele passa a ter maior reconhecimento caso tenha enfrentado as maiores dificuldades, tendo assim maior reconhecimento. Esses esforços feitos pelas fãs as proporcionam destaque e influencia por estar utilizando códigos dos membros da comunidade.

Segundo a classificação de Simon Frith(1996), os processos de produção,circulação e consumo musical se dividem em três fases históricas: o estágio
folk , no qual a música é executada diretamente de um artista para o público (músicapopular), o estágio artístico, no qual a música pode ser armazenada através denotações e partituras (música erudita) e, finalmente, o estágio pop, no qual a músicaé armazenada em fonogramas e executada mecânica ou eletronicamente para oconsumo de um público extremamente amplo (ou seja, massivo)

A distancia que separa o fã do ídolo sempre está sendo cada vez mais desafiada através dos meios digitais, segundo Santos, deste modo a distância não poderia ser vencida, apenas momentaneamente diminuída, pois sem ela o fenômeno da idolatria perderia o sentido. Essa distancia pode ser momentaneamente diminuída através de pacotes adquiridos em shows chamados meet & geet, onde os fãs tem a oportunidade de tirar uma foto e conseguir um autografo. E além disso ainda promovem festas após os shows. Dessa forma, as fãs adquirem e investem nesses serviços como uma maneira de estar mais próximas de seus ídolos.

Já as novas tecnologias apesar de serem ótimas opções de manter um contato com o ídolo, sabendo que é ele quem responde através da web cam, acabaram substituindo a maioria dos objetos como fotos, pôsters, revistas e reportagens, gravações VHS, entre outras. O fã acabou reestruturando-se e hoje guarda apenas objetos exclusivos relacionados ao grupo, pois pode acessar todas essas informações e vídeos por canais conhecidos hoje. E outra maneira atrativa para os fãs é que a banda filma o seu dia-a-dia como ídolos, coisa que antes nunca seria possivel. Hoje para a alegria das fãs os backstreet boys possuem twitter, e interagem com as fãs, essas acabam capturando a imagem da tela e exibindo para todos como se fosse um autografo, ou até mais importante que isso.

A reação negativa que ocorreu na ultima vinda da banda ao Brasil, fez com que as fãs buscassem uma mudança, mostrando que não eram aquilo que estavam dizendo. A partir disso houve mudanças nelas que puderam ser observadas na comunidade de fãs. Onde nove anos depois, elas mesmas notaram e puderam reconhecer suas mudanças.

A idéia de tática versus estratégia (DeCERTEAU, 1994) nos permite observar a mudança de comportamento por parte das fãs sob a perspectiva de uma disputade poder simbólico. Segundo DeCerteau, táticas são próprias de grupos subordinados e que, portanto, não detém o poder ou um espaço definido. Já estratégia é algo próprio dos grupos que detém o poder pois demandamferramentas, tempo e território. As táticas ocorrem no terreno inimigo, devem ser assertivas e em certa medida agressivas, pois dispõem de menos tempo para ser executadas.

Deste modo Santos não só se considera inserida na categoria de acadêmica/fã como procurou utilizar da posição outsider na comunidade estudada a fim de buscar diferentes olhares que um pesquisador insider dificilmente teria.

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Dissertação U2 part I

Em sua dissertação de analise sociológica e filosófica, Adriana Amaral discute sobre as construções e desconstruções estéticas que tiveram seu inicio a partir das novas tecnologias utilizadas pelos artistas contemporâneos, e que são refletidas através dos fãs. Essa ruptura contemporânea estética marcada pelo seqüenciador, sampler e sintetizador é por exemplo como a ruptura e as mudanças ocorridas a partir do anos 50 com a inclusão de guitarras no folk e no blues, cuja alterações ocorreram de maneira irreversível e marcante.

Toda essa construção da sociedade do espetáculo tem seu foco na mídia que é sua principal vitrine. Deboard(2000, p.18) afirma que “quando o mundo real se transforma em simples imagens, as simples imagens tornam-se em seres reais e motivações eficientes de um comportamento hipnótico”. Todas essas transformações sociais e culturais estão exemplificadas em filmes e videoclipes onde os acontecimentos atuais fundem-se com os tormentos dos artistas, formando um vínculo social com os fãs.

Essa mistura de sentimentos e emoções e tecnologia são visíveis no rock enquanto fenômeno social de manifestação cultural, onde todos esses elementos e ruídos que não desqualificam o estilo tornam mais interessante à construção da identidade cultural. O que pode ser refletido na frase de Wisnik que diz, o rock é a superfície de um tempo que se tornou poliritmico. Progresso, regressão, retorno, migração, liquidação vários mitos do tempo dançam simultaneamente no imaginário e nos gestuários contemporâneos, numa sobreposição acelerada de fases e defasagens.

A mídia e as tecnologias como formadoras de opinião agrega ao seu redor grupos com diferentes morais, éticas e objetivos, o que Nietzsche nomeia como rebanhos humanos, onde a consciência formal escolhe o que devem fazer ou não, diferente da noção de neotribalismo imposta por Maffesoli, onde afirma que os grupos sociais são formados a partir dos gostos escolhidos pelas pessoas, e não por obediência em fazer o que deve ou não, onde implica em estar junto pelo mesmo objetivo, desfrutar os bens do mundo.

A música é o elemento coordenador da sociedade, é o formador de valor estético e é por isso que os bens culturais de consumo como o rock and roll foi capaz de manifestar-se transcendendo os limites sociais, culturais e geográficos. Assim como o rock possui ligações no imaginário artístico, local e cultural o pesquisador é produto e produtor dessa cultura, pois segundo Maffesoli desde o nascimento o ser humano conhece não só por sim, mas pela tua família, tribo, cultura, sociedade, para elas, em função delas. E é através da mídia e das tecnologias de comunicação que essa arte estende-se pelo mundo todo, interferindo em outras culturas e construindo imaginários coletivos frutos da globalização, fazendo com que o mesmo produto esteja presente em cidades tão distintas.

Com a compreensão de espaço-temporal acentuou a volatilidade e a efemeridade dos valores e praticas estabelecidas na sociedade, assim como enfatizou a instantaneidade e a descartabilidade, um exemplo disso é a moda que pode ser comparada aos estilos dentro do próprio rock que segmentam-se, alternam-se em uma constante mutação.

Fazendo um restropecto para melhor entendimento da historia da banda irlandesa U2, Amaral busca exemplificar as raízes da cultura rock, que teve seu inicio nos anos 50 no período pós-guerra, espalhando suas sementes do movimento hippie na atmosfera cultural dos anos 60. Já a década de 70 marcada pelo consumismo, trouxe dois movimentos o punk e o disco que foram importantes na historia do rock e influenciaram a banda U2. Diferente do movimento hippie que ia a favor da paz e do amor, foi substituído pelo “faça você mesmo” do movimento punk que impunha atitude. Diferente do punk onde se caracterizavam com roupas pretas e com muita atitude a era disco caracterizava-se por um estilo mais descontraído utilizando roupas de discoteca e ouvindo um estilo musical mais contagiante e famoso por suas coreográficas, teve sua origem do soul tocado nas boates norte-americanas.

Com o consumismo iniciando nos anos 70, a acumulação de bens os locais de compra e suas mercadorias eram uma forma de distinção onde os consumidores passavam a criar vínculos e relações a partir desses objetos. Já nos anos 80 apesar da new wave, darks e headbangers terem dominado a cena da época, ser eclético era estar ao mesmo tempo em diferentes grupos, sendo considerados como o grupo dos “normais”. A partir desses acontecimentos que segundo Boudrillard, a historia começou a regredir, pois não surgiram novos movimentos como nas décadas anteriores, mas sim releituras de estilos passados como uma forma de reavaliação da cultura massiva, onde a aceitação da cultura pop e entre outras passaram a fazer parte de estudos culturais que continuam contribuindo para as avaliações desses fenômenos culturais. O que mudou foi as relações entre classes sociais e as formas de bens culturais já não mostram a variedade de culturas produzidas por diversas classes.

Por fim é possível observar que não só o rock transformou-se a partir de novos desdobramentos culturais, assim como tudo passou a se transformar e moldar-se a partir da mídia que cria a sociedade do espetáculo a partir da musica e da imagem que se transformam em paradigmas da contemporaneidade.

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Distinção pelo “mau gosto” e estética trash

A partir das práticas e movimentações dos fãs da cultura trash, que tem como definição produtos que não atendem aos padrões dispostos pela sociedade, ocorreram entrevistas onde foram observadas questões subjetivas envolvidas nas praticas dos fas. Nessas praticas è possível ressaltar o quanto isso trás autenticidade e distinção cultural de produtos identificados como “baixos”, de cultura massiva, caracterizados pelo seu amadorismo, estética horrível e falta de noção de bom gosto, por meio de um processo que chamamos de “reciclagem cultural”.

O tema cultura trash relaciona-se com Paracinema, conceito desenvolvido por Sconce (1995), onde ressalta que não é apenas um conceito sobre filmes de um determinado grupo, mas também da leitura de audiovisuais feita de maneira especifica, e distintas maneiras de interpretação, onde sensibilidade estética valoriza todo tipo de “lixo cultural”.
Segundo a pesquisadora esse senso comum classifica a maioria desses filmes como de gosto duvidoso, ou, de maneira mais direta, toscos, bizarros, horríveis, asquerosos, assustadores. Pelo menos é essa a ideia presente no discurso dos próprios fãs. Imaginar que o público mainstream não aprova tais filmes é o elemento-chave para que estes possam ser cultuados.

A fim de aprofundar-se mais e materializar-se nas possíveis formas de apropriação, foram realizadas entrevistas com o publico trash, mais especificamente fãs de filmes de terror. Após a descoberta de uma comunidade no Orkut foi possível caracterizar mais especificamente esse tipo de publico como, jovem, de classe média e sexo masculino. O que mais agrada esse publico é o fato de que a audiência mainstream não curte o mesmo tipo de produto “inassistivel” assim tornam-se elementos chaves para que os fás da estética trash a venerem mais e mais. Para quem é fã desse tipo de produto considerado “inassistivel” não é vantagem alguma que esse tipo de consumo seja massivo. Podendo observar que esse se assemelha com o estilo camp, onde algo pode ser exatamente ruim pode ser bom.
Em A distinção: crítica social do juízo([1979] 2007) o autor, com base em dados levantados por pesquisas empíricas sobre padrões de consumo na França, nas décadas de 1960 e 1970, desenvolve uma complexa tese que salienta a centralidade do consumo nas práticas sociais. Até a ascensão da pós-modernidade, o gosto pelas formas culturais mais elevadas e valorizadas na sociedade sempre estiveram ligadas com acumulação de capital cultural , a partir disso criando hierarquias culturais e econômicas. Observamos então que o consumo da sociedade era determinante na época em que os bens eram ligados a dominação e submissão. Existindo três tipos de capital: o econômico, social e cultural, entre esses o cultural é o mais eficaz, pois revela a existência de status e posições na sociedade, mas essa idéia não é valida apenas a quem possui capital econômico, pois apenas isso não garante o capital cultural. Cultura, desta forma, é entendida como uma economia onde os indivíduos investem e acumulam capital. Da mesma forma que no mercado econômico, no cultural alguns gostos são mais valorizados que outros, e determinadas atitudes ajudam certos grupos a obter prestígio no convívio social(Castellano 2010).
O conceito capital subcultural, desenvolvido pela autora americana Sarah Thornton (1995), é semelhante ao cultural, porém utilizado em situações diferentes, onde o conhecimento não é apenas obtido e valorizado atraves do saber, mas também por sua desenvoltura em lidar com práticas relacionada a sociedade não considerada “normal” pelo publico mainstream . A forma como nos vestimos, dançamos, falamos, também são demonstrações de posse de capital subcultural. A participação exercida nessa comunidade necessita de conhecimentos sobre o que é cultuado pelo grupo como os principais filmes, os gêneros e suas definições e hierarquias, os diretores, os clássicos, as novidades, os eventos, os melhores sites, blogs, listas de discussão, comunidades do Orkut, as mais ativas produtoras independentes e seus membros etc.

Com a entrevista observamos que por terem sido alçados por diversos pesquisadores como super-heróis que quebraram as hierarquias culturais, os fas de trash delimitam limites, onde determinam quem consome ou não esse “lixo cultural” e também o que pode ser ou não considerado objeto trash. Uma das perguntas feitas aos entrevistados autointitulados “fas de trash” era: O programa do Ratinho é trash? A resposta de muitos era que sim, poderia ser trash caso fosse interpretado sabendo da sua ma produção, mas o que podemos ressaltar é que há diferentes formas de interpretação, e para que não seja levado a serio é preciso interpretar de forma inteligente, caso contrario tudo parece real.

Considerados ruins para o publico mainstream e reutilizados pelo publico trash, sempre passando do não aceitável para um objeto de mérito. Tudo isso é tido de maneira bem humorada e apolítica de encarar a sociedade que valoriza a estética acima de tudo. Comparamos o publico trash como o Dandi pós moderno que não busca a alta cultura, mas entrega-se aos prazeres da cultura massiva

Dandi era rico em capital cultural. Possuia uma vida de aparências, tinha bom gosto e não misturava-se com a massa. O dandi pos moderno também é rico em capital cultural, mas sabe transitar entre as massas com ar superior, onde passa a consumir o “lixo cultural” de forma elegante, que é a sensibilidade camp da atualidade. Entre a dicotomia do que è incorporado e do que é subjetivado é que surge a figura outsider, que é quando o sujeito não possui conhecimento algum, mas freqüenta os mesmos locais sem ter conhecimento suficiente. Bourdieu argumenta que a falta de familiaridade, a ausência de capital cultural fica evidente no próprio comportamento do indivíduo, na maneira como ele age, em seus movimentos… Quando existe familiaridade com os estilos e gêneros valorizados socialmente, os indivíduos podem manejá-los com desembaraço em qualquer oportunidade.

O publico trash busca da contestação pelo desacordo de certos parâmetros. E com isso mostrar que a sociedade tem sido moldada a pensar e recriar a partir dos meios de massa, criando uma sociedade que pensa e age da mesma forma. Quem não entende o poposito da cultura trash a condena por ser uma estética exagerada associam a produções ignorantes, sem mesmo saber que burros e ignorantes são eles mesmos, por não entenderem o espírito da coisa, essa é a causa do por que ótimas produções trash não fazem sucesso.
Alem da maioria não compreender, a produção nacional de trash movies é pequena. Os fas reclamam do preconceito com filmes brasileiros, que é muito grande e contestam que somos americanizados por isso não valorizamos a obra do autor. Para que essa subcultura exista, é necessário que permaneçam essas desaprovações, pois é isso que os diferencia e pode ser exemplificado, segundo o depoimento de um fa que disse: “qualquer coisa underground que ganhe espaço não é mais underground”. Graças ao camp, o publico considerado da alta cultura que não misturava-se como Dandi, continua possuindo seu capital cultural, sem deixar de transitar de forma intelectual e desfrutar dos prazeres massivos a partir de outro entendimento.

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A industria fonográfica e as mudanças ocorridas a partir de novas plataformas

O artigo escrito por Lima que tem como título Indústria fonográfica X Novas plataformas musicais - Trânsitos sonoros na era da Internet, discute sobre as mudanças ocorridas nesse meio e seus desdobramentos ao longo dessas transformações. Diferente da facilidade de lançar música nos dias de hoje, por usufruir das redes digitais livremente e adicionar nossas produções ou simplesmente compartilhar hits para que o mundo todo possa escutar. Já na década de 90 para que essa oportunidade de circulação musical fosse possível era preciso primeiramente ter um disco gravado, o que não era tão simples, mas quando o artista o tinha servia como o passaporte responsável pela divulgação de seu trabalho. Não bastasse o disco para fazer uma forte divulgação, mas sim suas vendas realizadas com ou sem sucesso acabavam por influenciar o publico que após adquirir esse objeto passava de um simples ouvinte a um fã e até um colecionador.

As principais mudanças que ocorreram ma indústria foi no sec. XX, quando as empresas passaram a dividir-se em produção e comercialização. Após isso houve um aumento do alcance dos produtos indo além do consumo nacional. Já na próxima década as empresas acabam deixando a desejar em relação a sua reestruturação que não soube trabalhar com o fato da crescente circulação da música na internet, downloads e no formato MP3. Onde consequentemente obtiveram resultados insatisfatórios, pois essas reconfigurações abalaram a hegemonia das gravadoras. O modo de consumo e a posição de fã também mudaram a partir da internet que encurtou as distancias possibilitando a interação de diversas maneiras com outros fãs e com seus ídolos, tornando publico o seu gosto por certo tipo de gênero. Esses nós de interação podem ser chamados de “plataformas” de circulação.

Com a existência da internet o que era analógico passou a apropriar-se para conteúdo digital, o consumo da musica medido a partir dos downloads passou a ser como o ranking de álbuns mais vendidos onde serve de parâmetro para remuneração de músicos tendo como exemplo disso o site Trama Virtual. Além disso, a internet serve de impulso para muitos artistas divulgarem seus trabalhos independentes na rede até antes de se lançarem na mídia e em shows. Em relação à indústria fonográfica nas plataformas digitais as majors vêm tentando ocupar esse espaço. mas já existe uma produção mais próxima do artesanal que cria reapropriações em escalas massivas, concorrendo no mesmo nível com o industrial. Enquanto essas mudanças físicas que trazem crises para as gravadoras o consumo de musica não deixa de existir, ao contrario ele prolifera-se cada vez mais por meio de aparelhos que não são apenas rádios, atualmente a musica está nos telefones, nas trilhas sonoras de games, nas rádios virtuais entre outras diversas opções;

Nesse contexto de profusão das opções de escuta, Michel Nicolau Netto constata que
as gravadoras e o desenvolvimento tecnológico, no caso da música, não mais pertencem a campos coincidentes, ou seja, a tecnologia não é mais apenas um meio de desenvolvimento da indústria fonográfica, mas também um espaço autônomo, capaz de gerar conflitos. (NICOLAU NETTO, 2009, p.135).

Com esse novo modo de consumo as empresas passam a pensar como ganhar dinheiro. Em 2003 a Apple criou o iTunes (loja virtual de venda de musicas mp3 pela internet), fazendo com que a industria fonográfica pudesse contabilizar as musicas na internet. Mas para garantir que essa musica não fosse copiada para outro suporte, ela era utilizado um sistema de segurança DRM (Digital Marketing Management), onde mesmo pagando não era possível compartilhar a musica, já a eMusic é uma empresa norte americana que permite a aquisição sem DRM.

O desejo de apropriação da musica e customização de álbuns já existiam antes com a gravações de fitas, CDs e DVDs . Hoje esse desejo resulta no grande consumo de musicas gratuitas oferecidas em diversas plataformas, que é o grande empecilho dos negócios de venda digital. Por mais que sejam barrados para a não utilização, sempre há arquivos em circulação, o que fica a critério ético do usuário baixar ou não. A partir de dados e avaliações do ano de 2010, o Relatório Música Digital 2011, da IFPI (International Federation of the Phonographic Industry), ressalta que “canais digitais representam agora cerca de 29 % das receitas globais das gravadoras, acima de 25 % em 2009. Em 2010, o setor global da música digital atingiu um valor estimado em $ 4,6 bilhões, cresceu 6% em relação 2009. A própria IFPI estima ainda que “as vendas de música digital seriam 131% maiores na ausência de pirataria”.

Hoje quem é responsável e recebe os lucros das musicas na internet são corporações de comunicação e entretenimento e não mais a indústria fonográfica que antes era quem dominava. Embora a industria fonográfica realize acordos pra que haja remuneração das musicas ela não determina e não tem mais o controle indireto do que chega aos ouvintes. O que também é muito superior comparado às lojas físicas é que na compra virtual há grande variedade de títulos, vinis, CDs, arquivos que antes não encontrávamos nas lojas por falta de armazenamento, o que não é problema nas lojas on-line, sem falar no impacto na diminuição de custos. Hoje as vendas físicas são lugares alternativos, mais direcionados ao publico especifico que buscam selos independentes, é esse pequeno publico que sustenta o estabelecimento. Já as lojas on-line a partir da primeira compra buscam mapear os gostos do consumidor e associam eles com os de outros consumidores, funcionando assim como sistema de recomendação gerado gratuitamente pelo usuário. O que pode ser exemplificado onde segundo Yúdice, os usuários são os que mais geram conteúdos na internet. Segundo a empresa de consultoria IDC, ‘são os responsáveis por 70% dos conteúdos gerados em 2006’, e se espera que essa cifra aumente.

As plataformas virtuais são responsáveis por dar a oportunidade de muitas bandas se promoverem e construírem sua imagem, pois além de tudo auxilia no retorno financeiro. Esse barateamento na forma de produção e circulação foi o responsável por criações musicais brasileiras como o tecnobrega no Pará e o arrocha na Bahia, que souberam tirar partido da pirataria física, atraindo publico para suas performances no palco. Essas criações independentes “como os não-hits são tão numerosos, suas vendas, embora pequenas para cada faixa, rapidamente atingem volumes consideráveis, e assim supera as marcas atingidas pelos sucessos massivos. Onde a circulação, e o interesse pelas musicas novas deram lugar a (re)descoberta de velhas gravações que antes eram inacessíveis por terem sido feitas por gravadoras menos sucedidas e até por perderem-se conforme o tempo.

O que podemos concluir é que a digitalização de toda a cadeia musical ocasionou grandes modificações na indústria musical e no modo com que passamos a consumir. Ouve maior oferta de produtos, incrementada inclusive pelas facilidades que a digitalização trouxe aos produtores independentes trazendo oportunidade de divulgação que não haveria nem pra metade dos que já foram beneficiados, tendo maior lucro em diversos sentidos, muitas vezes até mais que o próprio show. Os ouvintes também mudaram a passaram se apropriarem da musica de diferentes maneiras em diversas plataformas.
Por hora parece mais seguro do que fazer afirmações totalizantes, refletir sobre alguns casos significativos para as transformações na cultura musical, que, talvez, em um futuro de maior democratização digital, sirvam como documentos para compreender as transformações que a música vem tendo no início dessa nova era digital.

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A reconfiguração da indústria musical nos meios tecnologicos

O artigo realizado por Marcelo Kischinhevsky e Micael Herschmann irá descutir sobre as grandes mudanças industriais e culturais ocorridas a partir das novas tecnologias digitais que vem remodelando e adicionando novos meios de comunicação, tornando a veiculação da música muito mais acessível. Talvez não tenhamos observado pelo modo veloz em que esses meios evoluíram modificando a maneira de consumimos esse tipo de produto, migrando da indústria fonográfica, entrando no mercado digital, mas a musica hoje se encontra em diferentes lugares, não apenas no radio, mas na TV, internet, nos elevadores, em aparelhos multimídia, ruas, lojas, etc.. Com todas essas mudanças e facilidades de acesso fica difícil estabelecer o seu valor de troca.

Essa mudança que tem afetado os mais diversos setores das indústrias culturais tem estado presente na reordenação da indústria da música em relação à diversidade cultural que enfrentam os artistas independentes para ter acesso às redes de distribuição que são controladas pela grande indústria e na negociação com novos intermediários. Com todo esse ineditismo de acontecimentos pode-se dizer que a industria musical tornou-se como um laboratório que serviu de impulso para a evolução dos diferentes setores da industria cultural.

Com as novas transformações houve a desvalorização da indústria fonográfica, mas o aumento da valorização dos shows ocorridos nas áreas urbanas; Existe também a busca desesperada Por novas soluções de negócios fonográficos, já que hoje o consumo de musica ocorre nos dispositivos moveis e na internet; que serve como estratégia de comunicação e circulação de conteúdo, bem como a conquista e a renovação de novos públicos consumidores.
Para melhor entendermos as noções empregadas no universo musical é apresentada diferenciação conceitual entre cenas, circuitos culturais e cadeias produtivas. Segundo Freire Filho e Marques (2007), as “cenas” seriam mais fluidas, instáveis e nelas seria possível atestar um maior protagonismo dos atores sociais. As cenas dependeriam de identificações, afetividades e alianças construídas entre os indivíduos. Os circuitos culturais são menos fluidos, já as “cadeias produtivas” teriam uma dinâmica institucionalizada (os atores sociais portanto, nas cadeias produtivas, não estão mais no “terreno da informalidade”).

Podemos observar que toda essa reordenação impactou na pré-produção, na produção, na dstribuição, na comercialização e no consumo que se tornaram mais acessíveis. Com isso as majors passam a apostar nas vendas feitas pela internet para que eles possam ganhar com esse mercado, já que o mercado fonográfico está em decadência com o fechamento das lojas físicas de discos e o crescimento das vendas de musica e downloads gratuitos realizados pela internet, que está em constante crescimento. Assim como telefones celulares e games que hoje também influenciam nas relações de consumo musical e no surgimento de novas apropriações de consumo.
A indústria vem enfrentando inúmeras dificuldades com as novas praticas, há 15 anos o valor do fonograma vem decaindo no qual a musica pop tornou-se um commodity, muitas vezes sendo negociada por centavos ou como brinde de artigos como por exemplo telefones celulares. São essas dificuldades que fizeram com que muitas empresas passassem a investir na web, como parceria de sites, redes sociais, sites de compartilhamento de arquivos (P2P) até com acordos financeiros estabelecidos com gravadoras.
No Brasil essa integração das empresas com serviços de download teve seu inicio pelas operadoras de telefonia móvel que chegou até 80% do faturamento das companhias fonográficas digitais, que tendo o acesso a catálogos licenciados por gravadoras impulsionam e promovem as vendas de celulares caracterizados por bandas. E além disso quem não possui essas aparelhos que já tem determinados toques musicais passou a baixar os toques. Representando assim a expansão do mercado formal, operando como uma pedagogia do consumo. Mas só a partir de 2009 é que os números oficiais de faturamento passaram a ter maior significado com o crescimento de 12% no consumo de fonogramas digitais e a cada ano que passa o consumo é maior, chegando a ultrapassar a venda de CDs responsável pela volta de crescimento de vendas digitais em 13 países.
O que veio tendo destaque além disso, foram as mídias sociais de base radiofônica, como por exemplo a plataforma last.fm, onde é possível escutar musica, personalizar playlists, interagir com outros usuários, criar tags para diferenciação de gênero, e além do mais receber recomendações relacionadas ao estilo musical do consumidor que forma a partir disso uma identidade musical.

Cientes deste fato, as gravadoras vêm buscando abocanhar este mercado: passaram a adotar, como medida compensatória às suas perdas, alterações dos contratos que impõem aos artistas, prevendo, entre outras coisas, participação nas bilheterias
(HERSCHMANN, 2007).

Se antes os artistas conseguiam conquistar mais da metade de seu publico com fonograma, hoje com as maneiras de consumo em transformação o publico mudou, principalmente o mainstream e o indie que tem crescido em relação a ida aos shows ao vivo que atualmente fatura bilhões por ano. Além dos shows musicais os circuitos de festivais vem crescendo com diferentes conjuntos de redes de artistas como atores de teatro, acadêmicos entre outros onde utilizam utilizam recursos de leis de incentivo à cultura e editais públicos para essas promoções. Diferente do século passado esses concertos vem construindo de forma bem sucedido novos circuitos de produção-distribuição e consumo culturais. As transformações ocorridas na cadeia produtiva e no âmbito dos circuitos e das cenas culturais; cada vez mais asseguram a pluralidade neste estratégico segmento da indústria cultural que a cada dia está em constante transformação por influencia das novas tecnologias.

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Sistemas de recomendação musical na diferenciação e formação de gêneros e gostos musicais

O tema a ser abordado, Se você gosta de Madonna também vai gostar de Britney! Ou não? Discute sobre sistemas de recomendação das diferentes plataformas musicais como Last.fm, e seus modos diferenciados de provocar a antecipação de gêneros musicais a partir de filtragens de dados disponíveis no perfil do usuário, essa com o intuito de que ocorra a padronização e novos consumos de gênero. Ressaltando também que as tags possuem um engajamento em relação à padronização de gêneros e, além disso, evidencia a importância de seu papel para os sistemas de recomendação na criação de antecipações mais precisas e confiáveis. Observamos então de que modo o universo musical passou a criar novas adaptações no mundo tecnológico para que essa arte não ficasse estagnada no tempo, podendo assim suprir algumas carências existentes no meio analógico. Essas novas adaptações e criações acabaram tornando o sistema complexo relacionado ao universo da musica popular-massiva, onde temos como exemplo os membros de gêneros mais extremistas, os quais disputam o titulo da classificação mais “verdadeira” a fim de considerarem-se maior autoridade cultural. Propomos um estudo voltado ao funcionamento lógico dos sistemas de recomendação e suas influencias na formação do gosto musical.
Para dar inicio a pesquisa segundo Sá (2009 ) Sistemas de recomendação são, pois, exatamente aquilo que a expressão sugere.Definidos de maneira simples, tratam-se de softwares, também chamados de agentes inteligentes, que tentam antecipar os interesses do consumidor no ambiente digital e prever seus gostos, a fim de recomendar novos produtos.
Esses sistemas de recomendação são softwares muito competentes, surgem semelhantemente como recomendações de amigos, aqueles os quais possuem o conhecimento do que certamente pode agradar ao usuário. Esse processo de conselheiro que possui a mídia especializada inicia-se a partir da filtragem de dados que o ouvinte disponibiliza em sua plataforma de preferência (Last.fm, Pandora, Jango,etc..), que funciona a partir de um rastreamento no qual as sugestões aparecem co-relacionadas com o tipo de gosto do consumidor. Automaticamente ele acaba conhecendo um novo produto, mas que já é de sua preferência musical, o que torna seu conhecimento pelo gênero mais vasto, e ao mesmo tempo o livra dos empecilhos que existem na indústria fonográfica, por fim a mídia também tem suas conveniências e praticidades, onde tanto quem produz a musica sai ganhando, quanto quem as escuta.
Em comparação a outros estudos, foi observado que a existência desse sistema se da como mediadora, onde o objetivo principal é a antecipação de tendências. E que o modo como à indústria fonográfica produzia e seus fas consumiam foram remodelados com a cibercultura, que inicialmente desestabilizou a indústria, mas a partir da necessidade de reverter à situação é que surgiram as novas maneiras de consumo e apropriações digitais.
Além dessa mídia personalizada que nos oferece recomendações com o intuito de provocar a antecipação de gêneros musicais, podemos observar que esses conselhos ocorrem a partir dos usuários, que automaticamente assumem papéis de formadores de opinião de um processo colaborativo. Com a utilização do método de falksonomia, é plenamente visível a existência e as vantagens que esse modo de construção traz para o processo colaborativo e de organização no processo de classificação de faixas na plataforma, nos trazendo cada vez mais informações precisas e confiáveis.
Observa-se que esse processo também possui relação juntamente com a produção de taggs, pois são elas que criam a identidade de um gênero, na qual provoca sentimento de pertencimento para quem as cria, ao contrario do que se fossem especificadas pelo próprio sistema, onde possivelmente não haveria esse tipo de construção e integração gerada pelo usuário.
Não por acaso, estes softwares têm sido vistos como ferramentas importantes para as novas formas de comércio e marketing na Rede, popularizadas na expressão Cauda Longa(Anderson,2006).Pelo fato da ferramenta ser multifacetada, encontram-se diferentes utilizações, que vão além de uma plataforma musical. Isto faz com que os usuários revelem seus gostos e desenvolvam novas formas de categorização e produção de taggs, que irão acarretar na produção e na co-produção de novos linguajares que proporcionarão a diferenciação. Mas além de todas essas qualidades, o sistema possui algumas limitações e desvantagnes, pois depende da colaboração dos usuários que decidem se querem ou não ter um participação colaborativa e também pelo fato da dependência de um sistema de classificação manual regido por especialistas.
A partir disso, com o método de mapeamento do software Pandora que surgiu como uma nova maneira de realizar as recomendações, é feita de maneira onde as musicas selecionadas sao avaliadas a partir da metadata, instrumentos utilizados, entre outros. Criando assim um método de recomendação hibrido, considerado aparentemente mais eficiente, pois conta com os usuários e os especialistas, a partir da utilização de filtragens colaborativas juntamente com analise de conteúdo. Para que essa filtragem hibrida seja realizada são necessários critérios, que são eles intra-musical e extra-musical. O primeiro esta relacionado ao gênero musical, com utilizações características como gaita ou guitarra. Já o critério extra-musical trata-se do contexto musical, da época e estados psíquicos.
Outro software interessante utilizado no final dos anos 90 é o Moodlogic, que realiza recomendações a partir de dados de usuários que coletados e cruzados com diversas musicas diferentes. Com esse cruzamento produziu-se um interessante catálogo musical classificado humoristicamente como outro sistema criado para ser utilizado em estabelecimentos, como um som ambiente propicio/característico ao local.
Para que pudesse exemplificar o modo de agir do usuário Sá utiliza os estudos realizados por Amaral e Sordo at al, onde a partir deles foi possível observar o quanto as tags são capazes de trazer a diferenciação e o quanto elas funcionam como característica marcante de um grupo nichado, onde podemos evidenciar maior grau de concordância se comparado a gêneros mais abrangentes. Com essas qualificações e ações criadas pelos usuários a autora utiliza da plataforma last.fm onde demonstra diversos níveis de utilização até chegar ao maximo de envolvimento com a plataforma, ressaltando assim que a partir desse envolvimento è que irão surgir os diferentes modos de buscar a diferenciação social de gênero que sem o método colaborativo ocasionado pelos usuários a plataforma não teria tanto sentido e graça, pois não existiria a experiência social que estes sistemas oferecem para seus ouvintes, onde o argumento é o de que eles representam um modelo central para as estratégias de remonetização e disputa simbólica da música/gênero nas redes digitais.

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