Na dissertação, Adriana Amaral ressalta o impacto das novas tecnologias de gravação, reprodução e distribuição que compõem um quadro para compreender o papel da arte e dos artistas na cultura contemporânea. Ela aponta para o caráter técnico da música, que deve ser levado
A estética também é outro componente que estabelece identificação entre os fãs. Para entender essa ideia, a pesquisadora remete ao conceito de embriaguez de Niestzche: a música nos toca pelos sentidos, “a música é uma excitação e uma descarga conjunta de afetos” (Nietzsche, 2000).
Adriana ainda aponta para os processos de escuta, linguagem musical e imagens, que compõem um circuito comunicacional que é apresentado pelos meios de comunicação e que geram novas formas de socialidade através de fãs/admiradores de música.
Outro aspecto abordado diz respeito à apropriação do referencial teórico de Maffesoli, onde observa-se no rock a multiplicidade de sentidos e incorporação do ruído como elementos que tornam o estilo interessante na construção da identidade cultural.
A mídia agrega grupos com diferentes morais, éticas e objetivos, o que Niestzche chama de rebanhos humanos: esses rebanhos seguem o que lhe dizem, o que devem ser e o que devem fazer. Essa ideia contrasta com a noção de neotribalismo de Maffesoli, que na sua abordagem acredita que os grupos são formados através do vínculo de gosto, por escolha própria e não por obediência.
A pesquisadora também ressalta a ideia de Wisnik em seu livro O Som e o Sentido. Na obra, o autor aponta para o caráter virtual do som e de como ele mexe nos nossos sentidos. Wisnik acredita que a música não nomeia coisas visíveis, mas aponta para o não verbalizável.
Dessa forma, o rock’n’roll torna-se um elemento de socialização dos grupos sociais, uma forma de manifestação cultural que transcende limites sociais, culturais e geográficos.
Assim, o rock tem por natureza a facilidade de agregar características locais e mostrou-se capaz de contribuir para as transformações da sociedade através da revolução dos modos e costumes, e por apresentar-se como produto globalizado e de fácil aceitação universal, acaba por fazer parte da cultura de consumo. Essa globalização permite que o rock esteja presente em cidades distintas (por isso a identificação com figuras midiáticas e celebridades como Madonna, estrelas olímpicas, jogadores de futebol) e a informação online contribui para essa difusão em âmbito global, alterando a percepção do espaço e do tempo. Essa noção provocou a efemeridade das modas, ideologias, valores, enfatizando a instantaneidade e a descartabilidade. Em função disso, as tendências são substituídas rapidamente, ou trocadas/transformadas.
Esse fenômeno pode ser observado também na música: os estilos dentro do próprio rock segmentam-se, alternam-se e sucedem-se em uma constante mutação, negação/aceitação.
Adriana também realiza uma breve contextualização da formação do rock na sociedade para poder entender a história da banda a ser investigada em sua dissertação.
O rock’n’roll é uma manifestação cultural que remonta da década de 50, se popularizando entre os jovens na década de 60 via meios de comunicação. Nos anos 70 emergem duas correntes musicais de cunho juvenil: o punk e a disco.
O movimento punk era mais direto e contestador, ódio às instituições era a sua marca. Não havia a preocupação com a virtuose e os arranjos pomposos das bandas progressivas, o que importava era a atitude e o som básico calcado nos três principais acordes do rock.
Já a disco não possuía nenhuma proposta política e era mais calcada no estilo musical e no modo de vestir, que logo invadiram as casas noturnas do mundo todo e as paradas de sucesso.
A década de 70 inaugurou o tempo do consumo, que se tornou critério de avaliação do sucesso ou felicidade dos indivíduos ou grupos. O estabelecimento do consumo como principal característica da sociedade do século XX se dá através dos meios de comunicação pelas mãos da publicidade e propaganda.
Adriana chama a atenção para o fato de que os anos 80 não criaram movimentos como nas décadas seguintes, mas sim pularam de tribo em tribo num ecletismo jamais visto. De acordo com a pesquisadora, apesar da new wave, darks e headbangers terem dominado a cena, a releitura de estilos caracterizou o período. Para reafirmar a ideia, ela utiliza a visão de Baudrillard, que acredita que nos anos
Assim, a pesquisadora crê que o imaginário do rock é fruto de rupturas da sociedade e da cultura tendo a mídia como espelho. Para ilustrar essas mudanças, a pesquisadora resgata a ideia de Wisnik, que ressalta que o barulho e os ruídos têm uma grande importância, já que passam a ser entendidos como parte integrante da música, provocando a alteração da escuta e dos padrões estética.






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