A partir de práticas colaborativas de categorização de gêneros musicais contextualizados na Web.2.0 daremos inicio ao estudo da pesquisa referente as criações realizadas pelos usuários da plataforma Last.fm. Para isso foram utilizadas informações com base nos métodos da folksonomia, a fim de, observar como os usuários da cena electro-industrial que possuem uma segmentação extrema, utilizam essa plataforma para comunicar-se. E a partir desse envolvimento com a plataforma, e a utilização de tags, como procuram buscar a diferenciação a partir da criação de novos códigos comunicacionais os quais visam à identificação e a inclusão de quem pertence a esse gênero, e o mais importante, como utilizam esse meio para a criação de novos linguajares em diferentes apropriações e novas concepções de identidades sociais. Por fim, identificar novos hábitos e diferentes métodos de categorização que serão utilizados tanto na vida online quanto na off-line.
O Last.fm foi fundado em 2002 na Inglaterra e é uma das maiores plataformas sociais de música com 15 milhões de usuários ativos em mais de 232 países. Em 30 de maio de 2007, ele foi adquirido pela CBS Interactive pelo valor de 280 milhões de dólares, considerada a maior compra européia até o momento. (AMARAL, 2007).
O Last.fm como conhecemos atualmente foi uma fusão de duas fontes diferentes que
aconteceu em 2005: entre o plugin audioscrobbler (criado pelo estudante de ciências da computação inglês Richard Jones) e a plataforma social Last.fm (uma espécie de rádioweb construída pelos austríacos e alemães Felix Miller, Martin Stiksel, Michael Breidenbruecker e Thomas Willomitzer), cujo nome mais sonoro acabou batizando oficialmente a comunidade 21, cujo slogan é “a próxima revolução social”22.(AMARAL, 2007).
Para dar inicio ao estudo, um perfil foi criado, e a partir disso a pesquisadora passou a observar e vivenciar as praticas comunicacionais na plataforma Last.fm . Durante os meses de junho, julho e agosto foram observados os perfis que encaixavam-se no gênero electro-industrial. A partir daí, podemos observar a diversidade de recursos que a ferramenta nos oferece, e como a utilização desses recursos influenciam e contribuem na produção de diferentes modos de categorização e inclusão de informações a partir dos métodos de folksonomia. Por outro lado observamos que ela acaba não sendo apenas uma plataforma onde só se é possível escutar música, mas sim criar, conhecer e ampliar a gama de conhecimento enquanto se diverte, pois como muitas plataformas atuais, o site Last.fm tornou-se uma ferramenta multifacetada. Observamos então os recursos mais utilizados, que vão além da escuta, são eles: social tagging, o scrobbling e os widgets.
Pelo fato de existir a liberação da classificação de informação no site, o publico encontra-se livre para criar e co-produzir tags, acarretando em múltiplos resultados positivos para a ampliação do linguajar e na caracterização do gênero que a utiliza. A tag é o recurso mais empregado, pois esse link serve como um modo de registro, organização e recuperação de informações, fazendo com que sua utilização além de prática seja insubstituível. Quando a tag é totalmente construída pelo usuário, é permitida a criação e a co-produção de um amplo banco de dados. Essa co-produção possibilita que haja etnografia em diferentes lugares, uma produção em conjunto o que acaba ocasionando algo muito conveniente para o usuário.
Essas “playlists” são disponibilizadas em diferentes sites a partir dos widgets, onde além de interação e troca de informações sobre estilos musicais, o usuário automaticamente possui uma “ auto-apresentação”, que poderá ser vista por todos, revelando ou não ser autentico em relação ao que indica estar na rede.
O fato dos site construírem uma ferramenta que permite visibilizar tais
características, eminentemente valorativas, aponta para a dicotomia entre mainstream ou
underground. (AMARAL, 2007)
Em seu próprio perfil, divulga a pesquisadora, que já foi alertada por outro usuário sobre a incompatibilidade da musica que havia escutado não condizer com seu gênero musical do perfil, e até o comentário sobre desligar o pluggin enquanto escuta outros gêneros. Isso nos revela que alguns usuários tentam ser ou manter a rigidez, a fim de seguir o que consta no perfil. Essas atitudes podem ser geradas por existir certo receio de opressão, e por esse motivo o usuário acreditar que por estar escutando certo estilo musical estará desconstruindo seu “verdadeiro” perfil e com criar uma impressão indesejada. Essa rigidez na atualidade onde tudo está entrelaçado é quase impossível, ela já não existe mais. Hoje uma pessoa pode utilizar objetos e outras apropriações que não sejam de um estilo especifico sem seguir essa rigidez de hábitos extremos para considerar-se de uma tribo específica.
O que pode ser observado é que as recomendações tornam-se um processo colaborativo e a medida em as relações e participações em diferentes plataformas como discussões e debates em fóruns , blogs e listas da pesquisadora, foram surgindo, mais adições de amigos vieram com isso, essas ocorreram por conta de pertencerem aos mesmos grupos e sentirem-se familiarizados. Com isso notamos que as relações online estão interligadas por diferentes plataformas, e que, e o mais importante é que possuem relação com nossa vida online e offline. Desse modo, todos de alguma forma assumem papeis críticos, e também de conselheiros, onde a plataforma acaba sendo deixada de lado nesses quesitos, e entram os usuários protudores e co-produtores, com opiniões diferenciadas, que na maioria das vezes tornam-se muito mais interessantes do que a mídia especializada.
Com base nos apontamentos em relação à plataforma Last.fm, podemos enfatizar a importância da pesquisa na criação e na forma com que os usuários lidam e aproriam-se desses processos comunicacionais na produção e na co-produção das tags. E que essas utilizações que são acarretadas pelo usuário originam-se a partir dos métodos de falksonomia que são de extrema importância, pois fazem surgir novas maneiras de socialização e apropriação na construção e desconstrução de nossa identidade social em ambos os meios .
Práticas colaborativas de categorização dos gêneros musicais para a construção e desconstrução de uma identidade social
14:59 |
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