Através de um mapeamento dos perfis de usuários do Last.fm foi realizada uma análise das práticas de categorização dos gêneros musicais e do consumo dos usuários. A partir de um diário de campo, durante três meses, foi observada a construção dos perfis.
O artigo ressalta que o elemento que mais se destaca no funcionamento da plataforma, tanta para a geração quanto para a busca das informações musicais é a tag. São essas tags que possibilitam que os usuários sejam responsáveis pela criação e co-produção de um grande banco de dados de artistas, gêneros e subgêneros.
De acordo com a pesquisadora, as tags não precisam estar vinculadas com o estilo musical ou gênero em si, podendo até mesmo apresentar um caráter subjetivo.
Ainda segundo o texto, as playlists criadas pelos usuários funcionam como um meio de identificá-los, uma forma do que a pesquisadora chama de “auto-promoção” e “auto-apresentação”. Isso se dá através do recurso das widgets, que possibilita a disponibilização dessas playlists nos sites, fotologs, blogs, perfis do MySpace, Facebook, entre outros, promovendo trocas, interações e conexões diferentes usuários, convergindo gostos e afinidades musicais.
Ao analisar essa auto-apresentação, a pesquisadora questiona a autenticidade dessa condição do usuário. Para ilustrar esse ponto, ela exemplifica com a sua própria experiência. Muitos usuários desligam o rastreador quando escutam músicas ou gêneros que não são coerentes com o perfil desejado. Esse comportamento foi observado quando a pesquisadora recebeu na sua caixa de recados dois comentários: um integrante da cena alertando que ela havia escutado um artista que não tinha relação com o seu perfil e outro recomendando que ela desligasse o plugin. Essa conduta dos usuários apontada por Adriana chama atenção, à medida que ressalta a importância que o perfil construído nas plataformas adquire, forjando uma espécie de identidade na internet, que pode, algumas vezes, ser até mesmo descolada do mundo real desse indivíduo. Nesse caso, o usuário tem um perfil e uma identidade a zelar, e qualquer outro gênero que fuja da coerência de sua audição frequente, acaba por manchar seu histórico musical.
Outro ponto destacado no artigo diz respeito às relações que são construídas a partir das afinidades ao adicionar perfis ou ser adicionado por alguma comunidade, lista ou afins que se desenvolvem nessas plataformas. Essas interações permitem que os usuários tornem-se críticos musicais, já que são responsáveis por recomendações musicais, levando em consideração o gosto pessoal e as afinidades de gêneros. Assim, o usuário não depende mais da mídia especializada para fazer esse intercâmbio, ele mesmo, através de espaços de recomendação e interesses, passa a ser um co-produtor. A partir dessa ideia apontada pela pesquisadora podemos observar uma certa independência dos usuários em relação às publicações e críticas especializadas. Dessa forma, as trocas realizadas entre usuários e o esquema de sugestões musicais possibilita um modo alternativo de ter acesso à novidades, que antes só era possível através de críticos musicais, resenhas e revistas direcionadas.
Por fim, a pesquisadora elege como elemento central dessas interações no Last.fm a co-produção de tags. Além de possibilitar novas formas de sociabilidade, essas práticas comunicacionais permitem que o usuário exerça um papel de “formador de opinião”, já que ele passa a indicar, sugerir e compartilhar novidades, disseminando termos ou incorporando outros já conhecidos.
Assim, com base nas análises do artigo, pode-se notar que as interações realizadas pelos usuários na plataforma evidencia uma tendência de processo colaborativo. A produção de tags, a sugestão de gêneros musicais e a construção de conexões que se dá através da possibilidade de adicionar ou ser adicionado, demonstra uma autonomia de escolha que os usuários possuem.
Análise sobre categorização dos gêneros musicais no Last.fm
16:36 |
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